1. CÂNCER GINECOLÓGICO

Os tumores ginecológicos, principalmente os do colo do útero, apresentam uma grande incidência quando comparado com outros tipos de câncer. Por isso, é importante conhecer os principais sinais e sintomas, fatores de risco e formas de prevenção para evitar a doença.

 

  1. CÂNCER DO COLO DO ÚTERO

O câncer de colo de útero é um tipo de tumor maligno que ocorre na parte inferior do útero, região em que ele se conecta com a vagina e que se abre para a saída do bebê ao final da gravidez.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de colo de útero é o terceiro mais incidente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama e do câncer colorretal. No entanto, hoje o diagnóstico é feito muito mais precocemente: na década de 1990, 70% dos casos eram diagnosticados em sua forma mais avançada. Já nos dias atuais, 44% são identificados na lesão precursora.

Os cânceres de colo de útero normalmente são de dois tipos:

  • Carcinomas de células escamosas ocorrem na maioria dos casos e normalmente são ocasionados pela presença do vírus HPV
  • Adenocarcinomas são cânceres de colo de útero menos comuns, mas que também podem aparecer.

Em algumas ocasiões, os dois tipos de células cancerígenas podem estar envolvidos em um só caso de câncer de colo de útero.

 

2.1 FATORES DE RISCO

Infecção por HPV: apesar de frequente, a infecção não causa doença na maioria das vezes. Entretanto, em alguns casos, podem ocorrer alterações celulares que evoluem para o câncer. A boa notícia é que essas alterações podem facilmente ser descobertas no exame preventivo (Papanicolaou) e são curáveis em grande parte dos casos.

Infecção por HIV: o vírus da Aids diminui as defesas do organismo e reduz a capacidade dele de combater o vírus e o câncer em seus estágios iniciais.

Fumo: mulheres fumantes têm duas vezes mais risco de ter câncer do colo do útero do que aquelas que não fumam.

 

2.2 SINAIS E SINTOMAS

Em seus estágios iniciais, o câncer do colo do útero geralmente não apresenta sintomas, esses só aparecem nos casos mais avançados. Contudo, eles não significam necessariamente que a mulher tem câncer. Os sintomas, como os citados abaixo, podem indicar vários outros problemas, mas revelam que é preciso consultar um médico.

  • Secreção, corrimento ou sangramento vaginal incomum.
  • Sangramento leve, fora do período menstrual.
  • Sangramento ou dor após a relação sexual ou exame ginecológico.

 

2.3 DIAGNÓSTICO

O câncer de colo de útero em estágio inicial costuma ser rastreado periodicamente pelo ginecologista nas consultas de rotina. Para detectá-lo ou as lesões do HPV os exames mais usados são:

  • Papanicolau
  • Colposcopia e vulvoscopia, com biópsia se necessário
  • Exame de HPV através do DNA, que coleta as células do colo do útero e verifica a presença do vírus. Esse exame é feito em mulheres com mais de 30 anos ou com mais jovens, desde que tenham um Papanicolau anormal.

Os exames de prevenção costumam ser feitos depois que a mulher começa a ter uma vida sexual ativa. Por isso, é muito importante começar a visitar o ginecologista regularmente nessa época, até para que ele converse com a mulher também sobre métodos anticoncepcionais.

Quando o câncer de colo de útero já está em curso, alguns exames podem ser feitos para identificar a extensão do tumor:

  • Biópsia da região
  • Tomografia computadorizada
  • Ultrassom
  • Ressonância magnética
  • Tomografia por emissão de pósitrons (PET-Scan).

 

2.4 TRATAMENTO

As opções de tratamento para o câncer de colo de útero variam conforme o estadiamento do tumor. Podendo ser através de cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e tratamento para lesões pré-cancerígenas

 

2.5 PREVENÇÃO

A melhor forma de prevenir o câncer do colo de útero está na prevenção da infecção por HPV. A medida preventiva mais preconizada para o HPV é o uso de camisinha. A maior parte das transmissões desse vírus são sexuais e ao impedir o contato da pele entre os parceiros, a camisinha é uma das melhores formas de prevenir o problema.

Além disso, a vacina do HPV é uma forma interessante de prevenir a doença.

Seguir com os exames ginecológicos de rotina após o início da vida sexual também é importante, pois eles permitem uma detecção precoce de lesões pré-cancerígenas e do câncer em si, o que proporciona uma melhor chance de recuperação.

Além disso, existem algumas medidas que ajudam a reduzir o risco de ter câncer de colo de útero:

  • Não fumar
  • Praticar sexo seguro.

 

  1. CÂNCER DE ENDOMÉTRIO

Câncer de endométrio é um dos tumores ginecológicos mais frequentes que acomete principalmente mulheres na pós-menopausa, depois dos 60 anos. 

O endométrio é um tecido altamente vascularizado que reveste a parede interna do útero. Câncer de endométrio é um dos tumores ginecológicos mais frequentes. Ele acomete principalmente as mulheres na pós-menopausa, depois dos 60 anos. As estatísticas mostram que somente 20% das pacientes estão na fase de pré-menopausa e, apenas 5% têm idade inferior a 40 anos.

Os carcinomas (80%) e os sarcomas (20%) constituem os tipos mais comuns do câncer de endométrio. Desde que diagnosticados precocemente, eles são curáveis em 90% dos casos.

 

3.1 FATORES DE RISCO

São considerados fatores de risco para o câncer de endométrio:

  • Obesidade e dieta rica em gordura animal;
  • Condições que favorecem o aumento dos níveis de estrogênio no organismo e menor (ou nenhuma) produção de progesterona, hormônio que protege o endométrio contra o crescimento anormal, tais como:
  • Terapia de reposição hormonal de estrogênio sem associação de progesterona;
  • Síndrome dos ovários policísticos;
  • Anovulação crônica;
  • Nuliparidade (nunca ter dado à luz) ;
  • Idade precoce da primeira menstruação e menopausa tardia;
  • Uso de tamoxifeno no tratamento de tumores de mama;
  • Hipertensão arterial;
  • Diabetes;
  • Histórico pessoal ou familiar de tumores produtores de estrogênio e de câncer de mamaováriocólon ou endométrio;
  • Hiperplasia endometrial, que pode ser benigna ou apresentar células atípicas classificadas como pré-malignas.

 

3.2 SINAIS E SINTOMAS

São sinais indicativos do câncer de endométrio:

  • Sangramento vaginal no período pós-menopausa ou, na pré-menopausa, com frequência e intensidade diferentes das menstruações habituais;
  • Dor ou sensação de peso na pélvis (bacia);
  • Corrimento vaginal branco ou amarelado (leucorreia) na pós-menopausa, que advém algum tempo antes do sangramento.

Quando o tumor maligno de endométrio já se disseminou por outras áreas do corpo (metástases extra-uterinas), os sintomas podem estar correlacionados com o grau de comprometimento do órgão atingido. Por exemplo: obstrução dos intestinos e da bexiga, tosse e dificuldade para respirar (pulmões), icterícia (fígado), gânglios inchados (linfonodos) e tumores na vagina ou na cavidade peritonial.

 

3.3 DIAGNÓSTICO

De maneira geral, o exame clínico só revela a presença de câncer de endométrio nas fases mais avançadas. No entanto, sangramentos uterovaginais, em especial na pós-menopausa, são indícios que exigem uma avaliação ginecológica completa.

Para realizá-la, os seguintes exames de imagem são de fundamental importância: ultrassonografia, curetagem e histeroscopia. Este último permite visualizar o interior do útero e retirar uma amostra de material para biópsia.

 

3.4 TRATAMENTO

Uma vez diagnosticado o câncer de endométrio, é preciso determinar a fase em que se encontra a doença: se o tumor está circunscrito no útero ou se afetou outros órgãos. Essa avaliação é essencial para definir a conduta terapêutica a ser adotada.

Nos estágios iniciais, o tratamento cirúrgico é o mais indicado. Em geral, ele inclui a retirada do útero, das trompas e dos ovários e também a remoção dos linfonodos, quando necessário.

Conforme as características de cada caso, depois da cirurgia, a recomendação é introduzir tratamentos adjuvantes complementares como quimioterapia, braquiterapia, radioterapia ou hormonioterapia.

 

3.5 PREVENÇÃO

A única forma de prevenir o câncer de endométrio é combatendo os fatores de risco, como a obesidade, mantendo uma vida saudável. Para isso:

  • Mantenha a pressão arterial e o diabetes sob controle, dentro dos níveis de normalidade
  • Tenha uma alimentação equilibrada e com menor quantidade de sódio
  • Pratique atividades físicas regularmente
  • Se fuma, deixe de fumar
  • Controle o consumo de álcool.

 

  1. CÂNCER DE OVÁRIO

O câncer de ovário é difícil de ser diagnosticado e o mais letal entre os cânceres ginecológicos. Os sintomas costumam aparecer em estágios mais avançados — daí a necessidade de consultar o médico regularmente. 

Câncer de ovário é o câncer ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o mais letal. Sua incidência está associada a fatores genéticos, hormonais e ambientais. A história familiar é o fator de risco isolado mais importante (cerca de 10% dos casos). O tumor pode acometer a mulher em qualquer idade, mas é mais frequente depois dos 40 anos.

 

4.1 FATORES DE RISCO

Certas mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 estão amplamente relacionados a tumores de ovário e também ao câncer de mama. As portadoras de mutações no primeiro gene apresentam 45% de possibilidade de desenvolver esse tipo de câncer durante a vida; mutações no segundo gene oferecem risco de 25%.

Há também relação entre esse tumor e o grau de atividade hormonal feminina. Mulheres que não tiveram filhos nem nunca amamentaram, as que tiveram menopausa tardia ou câncer de mama, assim como as que têm parentes de primeiro grau com histórico da doença apresentam risco mais elevado de desenvolver esse câncer.

 

4.2 SINAIS E SINTOMAS

A maioria das mulheres não apresenta sintomas até a doença atingir estágio avançado. Quando eles se manifestam, os mais característicos são:

É essencial conhecer seu corpo para que os sintomas sejam percebidos rapidamente e a assistência médica possa ser buscada o quanto antes.

 

4.3 DIAGNÓSTICO

Medição do marcador tumoral sanguíneo CA 125 (80% das mulheres com câncer de ovário apresentam CA 125 elevado) e ultrassonografia pélvica são dois exames fundamentais para estabelecer o diagnóstico da doença. A laparoscopia exploratória seguida de biópsia do tumor, além de úteis para confirmar o diagnóstico, permitem observar se há comprometimento de outras regiões e órgãos.

Raio X do tórax, tomografia computadorizada, avaliação da função renal e hepática e exames hematológicos podem auxiliar no diagnóstico dos casos avançados.

 

4.4 TRATAMENTO

Se houver suspeita de tumor de ovário, a paciente deve ser submetida a uma avaliação cirúrgica. Para tumores em estágio inicial, é preciso realizar o estadiamento (verificar precisamente qual o estágio do câncer) por meio de cirurgia e promover a remoção do útero e dos ovários. Em estágios avançados da doença, é possível aumentar a taxa de sobrevivência com a remoção agressiva de todos os tumores visíveis.

Exceção feita às mulheres portadoras de câncer de baixo grau em estágio inicial, as pacientes devem ser submetidas à quimioterapia após a cirurgia. Elas podem contar com vários regimes disponíveis, como a combinação de cisplatina ou carboplatina com paclitaxel, que oferecem taxas de resposta clínica de até 70%.

 

4.5 PREVENÇÃO

  • Consulte um ginecologista regularmente e levante a possibilidade da doença tão logo reconheça algum dos sintomas;
  • Controle o peso e evite alimentos gordurosos, pois há estudos que indicam relação entre esse câncer com obesidade e alto consumo de gordura;
  • Faça exames clínicos e ultrassonografias com mais frequência, de acordo com orientação médica, se tiver um parente de primeiro grau com história de câncer de ovário e/ou de mama;
  • Respeite as datas dos retornos ao ginecologista, especialmente se você faz terapia de reposição hormonal; nesse caso, é maior o risco de a mulher desenvolver esse câncer;
  • Passe por avaliação ginecológica regularmente se você tem mais de 40 anos. O prognóstico é sempre melhor quando a doença é diagnosticada precocemente.

 

  1. CÂNCER DE VULVA

A vulva é formada pelos lábios maiores, lábios menores, clitóris, introito vaginal e glândulas de Bartholin, que ajudam na lubrificação. Além de raro, representando 5% dos cânceres ginecológicos, o tumor de vulva tem desenvolvimento lento, a partir de lesões pré-cancerosas que podem ser tratadas precocemente, antes que o câncer se instale. Aproximadamente 90% dos cânceres de vulva são carcinomas epidermoides, também chamados de células escamosas, e costumam ser tratados com sucesso, quando em estágios iniciais. Além desses adenocarcinomas, que acometem as glândulas de Bartholin e glândulas sudoríparas, melanomas e sarcomas também podem acometer a vulva.

 

5.1 FATORES DE RISCO

  • Idade: a maioria das mulheres diagnosticadas tem mais de 50 anos e a incidência é maior nas que têm mais de 70 anos.
  • Infecção por HPV: os papilomavírus humanos (HPVs) são sexualmente transmissíveis e com maior risco de infecção em quem tem início precoce da vida sexual e mantém relações sem preservativo. Atualmente, não existe cura ou tratamento diretamente contra a doença, mas, em geral, a infecção desaparece. A vacina contra o HPV é disponibilizada na rede pública e privada e deve ser aplicada em meninas e meninos antes da primeira relação sexual. A recomendação é vacinar meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos em duas doses (0 e 6 meses), respeitando o intervalo mínimo de seis meses entre elas. Há ainda a recomendação para vacinação em pessoas portadores de HIV/ Aids, submetidas a transplante de órgãos sólidos, medula óssea e pacientes oncológicos entre 9 e 26 anos de idade, sendo que nessa população o esquema vacinal consiste na administração de três doses (0, 2 e 6 meses). Há duas vacinas no mercado: uma eficaz contra as versões 16 e 18 do vírus, que correspondem por até 40% dos casos de câncer de vulva; outra eficaz contra os tipos 16 e 18 e variedades 6 e 11, sendo os dois últimos responsáveis por 80% dos casos de condiloma (verrugas genitais).
  • Neoplasia intraepitelial vulvar: é uma lesão pré-cancerosa, geralmente causada pelo HPV, formada por células anormais na camada mais superficial da pele da vulva, que pode e deve ser tratada antes que evolua para o câncer.
  • Câncer de colo de úter
  • Melanoma em outras partes do corpo ou em histórico familiar

 

5.2 SINAIS E SINTOMAS

O câncer de vulva geralmente não apresenta sintomas específicos. Contudo, esses sintomas não significam necessariamente que a mulher tem câncer. Os sintomas, como os citados abaixo, podem indicar vários outros problemas, mas revelam que é preciso consultar um médico.

  • Uma área na vulva que parece diferente do normal, podendo ser mais clara ou mais escura do que a pele em torno dela, aparentando vermelha ou rosa.
  • O tumor pode ser observado como uma protuberância ou inchaço, vermelho, rosa ou branco, com uma superfície parecendo uma verruga ou ferida. A área também pode aparecer branca e áspera.
  • Espessamento da pele da vulva.
  • Coceira persistente.
  • Dor ou queimação.
  • Sangramento não associado ao período menstrual normal.
  • Úlcera que persiste.

O carcinoma verrucoso, um subtipo de câncer de vulva invasivo de células escamosas, se manifesta como tumores com aspecto de couve-flor.

 

5.3 DIAGNÓSTICO

O diagnóstico do câncer de vulva é confirmado por meio de biópsia, procedimento no qual o médico remove pequenos fragmentos da área suspeita e o patologista faz a análise microscópica das amostras. Habitualmente, a biópsia da vulva é um procedimento ambulatorial realizado pelo médico com uso de anestesia local. Exames por imagem, como raios-X de tórax, tomografia e ressonância magnética, também podem ser pedidos para verificar se o tumor atingiu outros órgãos ou para acompanhar o tratamento.

 

5.4 TRATAMENTO

Os tumores em estágio inicial são tratados por cirurgia, onde tumor e os gânglios linfáticos inguinais – primeiro local para onde o câncer da vulva pode espalhar- são removidos. Já os tumores avançados podem ser tratados com quimioterapia e radioterapia, antes ou após da cirurgia.

Os tratamentos utilizados são:

  • Cirurgias;
  • Terapia com laser: destruição das células anormais utilizando um feixe de luz concentrada (laser) pode ser utilizada no tratamento das lesões pré-malignas (Neoplasia Intra-Epitelial Vulvar ou NIV);
  • Vulvectomia simples: ressecção de toda a vulva;
  • Vulvectomia radical: remoção da vulva com tecido normal ao redor e inclui esvaziamento dos gânglios linfáticos inguinais;
  • Linfadenectomia: ressecção dos gânglios linfáticos;
  • Radioterapia: utiliza feixes de radiação para destruir as células tumorais.

 

5.5 PREVENÇÃO

O risco de câncer de vulva pode ser diminuído, evitando certos fatores de risco e tratando condições pré-cancerígenas antes que um câncer invasivo se desenvolva. Essas etapas não podem garantir mas podem reduzir as chances de desenvolver câncer de vulva.

  • Evitar infecção contra o HPV
  • Fazer uso de preservativos
  • Tomar vacina contra o HPV
  • Não fumar
  • Diagnosticar e tratar condições pré-cancerígenas
  • Exames de Papanicolau e Exames Pélvicos
  • Autoexame

 

  1. REFERÊNCIAS

https://www.accamargo.org.br/noticias/cartilhas-tumores-ginecologicos

https://www.gineco.com.br/saude-feminina/doencas-femininas/cancer-do-colo-do-utero/

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/cancer-de-endometrio/

https://www.minhavida.com.br/saude/temas/cancer-de-ovario

http://www.oncoguia.org.br/conteudo/como-prevenir-o-cancer-de-vulva/10390/1089/#:~:text=Parar%20de%20fumar%20ou%20nunca,incluindo%20o%20c%C3%A2ncer%20de%20vulva.&text=Condi%C3%A7%C3%B5es%20pr%C3%A9%2Dcancer%C3%ADgenas%20da%20vulva,um%20exame%20ginecol%C3%B3gico%20de%20rotina.

https://vencerocancer.org.br/noticias-ovario/canceres-ginecologicos-como-prevenir/